“O pensamento escolhe. A Ação realiza. O homem conduz o barco da vida com os remos do desejo e a vida conduz o homem ao porto que ele aspira a chegar. Eis porque, segundo as Leis que nos regem, a cada um será dado segundo suas próprias obras”.

(Emmanuel)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia da Oração

No dia 07 de março comemora-se o dia da oração, no mundo todo.
Na prece existem os atos de pedir, louvar, agradecer.
Pedir requer humildade e autoconhecimento; segundo Jesus, quando pedimos em oração, nos colocamos numa posição de submissão em relação ao Alto. Tal atitude que revela humildade trará condições ao nosso Espírito de receber boas influências divinas e inspirações que nos ajudarão a vencer com mais tranquilidade e esperança nossas dificuldades ou as daqueles que amamos.
Louvar significa prestar o nosso reconhecimento a Deus, senhor do universo e da justiça, fortalecendo nossa fé e confiança nos seus desígnios.
Agradecer por tudo o que temos na nossa vida eleva nossa condição humana à sabedoria de Deus e seus desígnios. Embora Deus não precise de agradecimentos, ao reconhecermos Sua ajuda e proteção, estaremos sendo naturalmente abençoados e também nos predispondo a continuar  ligados a Ele. Os grandes beneficiados pela prece sempre somos nós mesmos.
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Não sei amar direito
Pe. Zezinho scj 


Perdoa-me Senhor! Não sei amar direito. Acho que nunca saberei. Amo um pouco pessoas que eu não conheço; amo muito algumas pessoas que conheço; amo mais ou menos a maioria dos que conheço e chego a não amar algumas pessoas que me fizeram e ainda querem o meu mal, apesar de todo o bem que eu lhes fiz.
Ainda não sei perdoar totalmente, amar sem retribuição, amar por amar. Ainda espero gratidão, retribuição e recompensa. Por isso, meu Senhor, estou pedindo a graça de amar sem reservas. Por mim mesmo não sou capaz desse amor.
Mas tua graça pode me tornar tão santificado que eu possa até retribuir com amor àqueles que não me amam. Sei que ainda não sei amar. Mas Tu que és amor, ensina-me essa parte da vida; eu ainda não a assimilei.
Foi para isso que eu vim ao mundo, mas ainda não consegui realizar este desígnio. Amo pouco e seletivamente, calculadamente. Ensina-me o verdadeiro jeito, o teu jeito!

www.padrezezinhoscj.com 

domingo, 6 de março de 2011

Pequenos milagres cotidianos


A gente nem percebe, mas pequenos milagres acontecem a toda hora.
O estímulo de uma palavra amiga, a cumplicidade de um sorriso, a sutileza de um gesto...
Essas são pequenas coisas que podem mudar o nosso dia.
E sem sentir, a gente também acaba fazendo milagres por aí também.
Sabe aquele conselho, aquele toque no amigo que precisa de ajuda?
Pois é, parece bobagem, mas a gente pode transformar o humor de alguém com um simples carinho.
E quantas vezes nós mesmos não experimentamos pequenos milagres?
O elogio inesperado de um colega no trabalho.
O telefonema do filho que está longe.
O resultado feliz de um exame de saúde.
O doce bom na sobremesa.
A folga pra ir à praia.
O caminho sem engarrafamento.
Pequenos milagres são porções de alegria que a gente vai ganhando ou doando todos os dias.
São pedacinhos de cor que enfeitam a alma.
São trechos de música que acalmam o coração.
Por menores que sejam os resultados, por mais anônimos que sejam os sucessos...
Os pequenos milagres precisam existir pra que a gente não esqueça nunca do milagre maior de estarmos vivos!

sábado, 5 de março de 2011

O Enigma do Mal (1ª parte)

Na maneira de se posicionar diante daquilo que chamamos o mal,

a Antroposofia se diferencia da grande maioria das doutrinas e

cosmovisões. Isto é conseqüência de vários fatores, entre eles:

· a evolução da semântica do próprio termo “mal“;

· grau de consciência do que é “bem“ e “mal“;

· conceito filosófico do “mal”, seja este considerado a polaridade abominável do que consideramos como ser o “bem”, ou sejá como um desvio, para a direita ou para a esquerda,do caminho do meio, chamada também a senda dourada.

Existe um ditado que diz: O mal é um bem no lugar, no momento ou na forma errada. Isto significa que aquilo que definimos com mal, não sempre é algo mau. Uma mordida num sanduiche é uma coisa, uma na mão do companheiro é outra. Aliás, o mesmo acontece com o que chamamos de sujeira, Um fiapo no chão da cozinha é sujeira, enquanto que o mesmo fiapo na mão do tecelão é matéria prima útil. Assim também um certo ato ou jeito de se vestir representa algo bem diferente se ele é executado por uma criancinha, um índio em pleno Amazonas ou por um cidadão na avenida Paulista. Dar uma gargalhada no circo é absolutamente apropriada, enquanto que a mesma gargalhada durante um velório seria no mínimo uma grande falta de respeito.

Uma mudança drástica do “código de ética“ aconteceu primeiramente através de Moisés e mais uma depois através do Cristo. As Leis Mosáicas são um símbolo para algo que, infelizmente até hoje, muitas vezes se faz necessário: A lei advinda de fora, em forma de imposição. Já a Lei Crística não impõe nada, mas apela à própria maturidade e vontade de amadurecer do ser humano interior. O seu verdadeiro sentido estamos começando a entender faz mais ou menos cem a centocinqüenta anos atrás. A lei mosáica ainda não pressupõe o livre arbítrio. A lei crística é concebida para este livre arbítrio crescer com ela. Moisés falava para o ego dos homens. O Cristo falava para os eus dos homens.

Na medida que adquirimos esse tão necessário livre arbítrio, também o conceito do mal e do bem se metamorfoseia. O “ignorante” pode considerar o ato mau simplesmente como um ato errado, e até um certo ponta ainda tem razão. Porém quem desenvolveu uma própria maturidade não pode mais se esconder por detrás do “eu não sabia“. A prestação de contas será outra. Não estou falando aqui de culpa, pois ali entraríamos num capítulo mais complexo ainda.

E há uma outra diferença fundamental que evidencia esta mudança do mal ”ignorante” para o mal consciente. A lei mosáica, atuando de fora e para cima do ser humano, respectivamente do seu ego, coloca-o numa dualidade: Eu obedeço, então sou bom, eu não obedeço, então sou mau. Esta estratégia foi usada e abusada nestes 2000 anos após a passagem do Cristo pela Terra, revelando-se muitas vezes que o verdadeiro mau era o cobrador dos atos bons.

Adquirindo o livre arbítrio, isto é, identificar-nos com o nosso verdadeiro eu, postra-se diante de nós um novo desafio: não somente discernir entre o mal e o bom, mas entre 2 males e o bom. Como entender isto? O nosso eu é como um mastro. Ele pode tombar paara um lado ou para outro. Para estarmos bem, tanto faz em qual nível, precisamos estar no plumo, no equilíbrio. Como pode-mos verificar se o caminho, a atitude, o interessse, etc estão ancorados neste nosso eixo central, chamado eu? Superficialmente podemos responder: simplesmente não cair nos extremos. Certo; mas quais são os extremos? O que para uma pessoa pode ser um extremo, não necessariamente o é para uma outra. Ali entra novamente o julgamento individual, baseado em nosso equilíbrio interior, por sua vez “monitorado“ por uma capacidade de pensar lucidamente.

A Sabedoria do Mendigo

Erro dos outros...

O telefone tocou na farmácia. Era um médico, extremamente irritado e mau-humorado, exigindo saber por que o farmacêutico tinha dado ao seu paciente um medicamento diferente do que ele havia prescrito na receita. O farmacêutico, pego de surpresa, não sabia nem o que dizer, então apenas pediu desculpas pelo erro. Explicou que muitas vezes a famácia ficava muito cheia e todos clientes queriam ser atendidos rapidamente. Nesta situação de stress, talvez ele tivesse realmente cometido algum equívoco.
 
Mas o médico não quis escutar as explicações do farmacêutico e continuou com um longo discurso a respeito da importância de tomarmos cuidado ao dar um remédio ao paciente e a grande responsabilidade que isto envolve. Deu ao farmacêutico, por alguns minutos, uma grande lição de moral.
 
Aquela bronca acabou com o dia do farmacêutico, pois ele se sentiu muito culpado. Ele era uma pessoa cuidadosa, algo assim nunca havia acontecido em toda a sua carreira. Como ele havia se descuidado e cometido um erro assim tão grave? Havia colocado em risco a vida de outra pessoa! Começou  a procurar a receita do médico em uma grande pilha de prescrições, para tentar entender qual havia sido seu erro. Finalmente encontrou a receita e, para sua surpresa, viu que havia entregue os remédios corretos, exatamente como havia sido prescrito. Foi o médico que tinha cometeu um erro, ele tinha escrito o medicamento errado por engano!
 
O farmacêutico ficou aliviado. Mas então lembrou-se da lição de moral que havia escutado do médico. Pegou o telefone, ligou para ele e, muito irritado, desabafou por alguns minutos. O médico escutou em silêncio e, no final, apenas disse:
 
- Ei, calma, não fique tão irritado. Qualquer um pode cometer um erro"
 
Temos que dar aos outros sempre o benefício da dúvida, pois muitos erros que vemos nos outros podem ser, na verdade, erros nossos.
 
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Nesta semana terminamos o segundo livro da Torá, Shemot, com a Parashá Pekudei, que nos descreve os últimos detalhes da construção do Mishkan (Templo Móvel) e a posterior montagem, feita pessoalmente por Moshé. E assim começa a Parashá: "Estas são as contas do Mishkan..." (Shemot 38:21). O que estas palavras significam? Moshé fez questão de prestar contas de cada material utilizado no Mishkan, já que muitos materiais eram nobres, de valor muito elevado. Mas por que Moshé tinha que prestar contas, já que mesmo D'us falava sobre ele "em toda Minha casa ele é confiável"? Havia alguma suspeita que Moshé, o maior profeta de todos os tempos, que tirou o povo judeu do Egito, fez diversos os milagres abertos e recebeu a Torá no Monte Sinai, teria roubado parte dos materiais para enriquecer ilicitamente?
 
A pergunta fica ainda maior se prestarmos atenção nos versículos que descrevem a construção do Mishkan. Diversas vezes a Torá utilizou a expressão "conforme comandou D'us para Moshé", como se D'us estivesse legitimando todos os atos de Moshé. Era preciso este "selo de qualidade" dado por D'us? Havia alguma suspeita que Moshé estava fazendo coisas de sua própria cabeça, que não haviam sido ordenadas por D'us?
 
Quando uma pessoa vai para a guerra, a primeira coisa que necessita para sair vitorioso é conhecer bem o seu inimigo. Que armas ele possui, como costuma lutar, quais são as suas táticas, etc. Quanto mais detalhes conhecemos sobre o inimigo, mais chance temos de vencê-lo. O mesmo princípio é utilizado no futebol, onde os técnicos assistem exaustivamente vídeos das partidas do time adversário para conhecer todos os seus detalhes e conseguir assim planejar uma forma de derrotá-lo. Nós também temos um grande inimigo em nossas vidas: o Yetzer Hará, nossa má-inclinação, que nos aconselha para o mal e nos leva a cometer muitas transgressões. Se queremos vencê-lo, primeiro precisamos conhecer suas formas de luta e suas principais armas. E a Parashá desta semana nos ensina justamente uma das armas mais importantes do Yetzer Hará.
 
Explica o livro "Lekach Tov" que uma característica natural do ser humano é achar que sempre estamos certos e os outros sempre estão errados. Somos rápidos ao julgar e incriminar os outros. Justamente por isso nos ensina o Pirkei Avót (Ética dos patriarcas): "Julgue toda pessoa para o bem". O que isto significa? Que sempre temos que dar aos outros o benefício da dúvida. Se vimos uma pessoa fazendo um ato que parece ser algo errado, temos que tentar buscar explicações para o que vimos. Pois muitas vezes achamos que foi o outro quem errou quando, na verdade, o erro partiu de nós mesmos, como no caso do médico e do farmacêutico.
 
O que ocorre quando não desenvolvemos esta característica de julgar os outros para o bem? O Yetzer Hará começa a nos jogar idéias ruins na cabeça sobre os outros, e começamos a aceitá-las sem questionar.  Assim, podemos chegar a cometer o erro de julgar para o mal mesmo pessoas completamente Tzadikim (Justas). Foi justamente o que ocorreu com Moshé. Havia alguma dúvida sobre sua honestidade? Obviamente que não. Mas Moshé escutou pessoas no acampamento dizendo "Agora que Moshé está trabalhando com materiais nobres, como ouro e prata, e não há ninguém que supervisiona as doações nem o seu trabalho, certamente que ele vai enriquecer bastante". Por isso ele sentiu a necessidade de prestar contas de todo o trabalho, detalhando todo o material que havia sido doado e como havia sido utilizado. Não havia nenhuma lógica em suspeitar de Moshé, mas as pessoas que não se trabalharam na característica de julgar os outros para o bem chegaram ao nível de duvidar da sua honestidade.
 
Como a construção do Mishkan era muito trabalhosa, algumas pessoas também começaram a pensar que D'us havia pedido uma construção bem simples e era Moshé quem estava criando, de sua própria cabeça, todos aqueles detalhes difíceis e trabalhosos. Havia alguma dúvida que Moshé comandaria coisas que D'us não havia pedido? Certamente que não. Mas mesmo assim tiveram pessoas que pensaram assim, e para tirar qualquer idéia equivocada, D'us fez questão de, diversas vezes, dizer "conforme comandou D'us para Moshé", para ressaltar que nada no Mishkan foi da cabeça de Moshé.
 
Assim trabalha o nosso Yetzer Hará, ele começa com idéias pequenas, com coisas que parecem sem importância, mas vai nos envolvendo sem percebermos. Ele começa a jogar em nossa cabeça suspeitas sobre as outras pessoas. Em um primeiro momento as idéias parecem infundadas, não damos muita atenção. Mas se não internalizarmos a característica de julgar todos para o bem, estas idéias continuam na nossa cabeça e começam a fazer sentido. Finalmente acabamos acreditando totalmente nas nossas suspeitas, mesmo que sejam totalmente ilógicas.
 
Então como fazer para julgar todos para o bem? A dica está no próprio ensinamento do Pirkei Avót, pois se prestarmos atenção, na verdade não está escrito "Julgue toda pessoa para o bem", e sim "Julgue toda a pessoa para o bem". O que significa julgar toda a pessoa? Ao julgar alguém, não devemos nos basear apenas no que estamos vendo agora. Por exemplo, se conhecemos alguém e sabemos que a pessoa é normalmente muito calma, se algum dia ela estiver muito irritada, não devemos julgá-la por aquele momento. Devemos entender que algo aconteceu, que ela não está no seu estado normal. Dê o benefício da dúvida de imaginar que ela está passando por alguma situação difícil. Ao invés de incriminá-la, ofereça ajuda. Pode ser que ela precise muito mais de ajuda do que de uma bronca.
 
Quando julgamos os outros para o bem, assim também somos julgados nos mundos espirituais. As pessoas que são rigorosas com os outros e não deixam nada passar em branco, assim também são julgadas, e todas as suas transgressões, mesmo as mais insignificantes, são levadas em conta. Já aquele que se acostuma a julgar todos para o bem também será julgado espiritualmente para o bem. D'us também levará em conta a pessoa como um todo, tentando assim minimizar cada erro cometido.
 
Mas o mais importante é saber que, na maioria das vezes, as coisas não são como parecem. Sempre vemos as situações com uma visão limitada. Por isso, quando julgamos alguém para o bem, na grande maioria das vezes estamos julgando-o da maneira correta.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 

O Vazio

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