“O pensamento escolhe. A Ação realiza. O homem conduz o barco da vida com os remos do desejo e a vida conduz o homem ao porto que ele aspira a chegar. Eis porque, segundo as Leis que nos regem, a cada um será dado segundo suas próprias obras”.

(Emmanuel)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

TENHA PACIÊNCIA MEU FILHO



Quando D. Maria João de Deus desencarnou, em 29 de setembro de 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita de Cássia, velha amiga e madrinha da criança.

Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava irritadiça.

Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de varas de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo de torturar.

O garoto chorava muito, permanecendo horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar e, porque a madrinha repetia, nervosa:

- Esse menino tem o diabo no corpo!

Um dia, lembrou-se a criança de que a Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar.

Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais.

Quando terminou, oh! maravilha!

Sua projenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado.

Chico que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte.

Abraçou-a, feliz, e gritou:

- Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora...

- Não posso, - disse a entidade, triste.

- Estou apanhando muito, mamãe!

Dona Maria acariciou-o e explicou: - Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.

- Mas, - tornou a criança - minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo...

- Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos.

Em seguida, desapareceu. O pequeno, aflito, chamou-a em vão.

Desde esse dia, no entanto, passou a receber o contato de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas.

- Chico é tão cínico - dizia Dona Rita, exasperada, - que não chora, nem mesmo a pescoção. Porque a criança explicava ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um "menino aluado".

E, diáriamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filetes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velhas árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.

Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos.


Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama

domingo, 12 de junho de 2011

Solidão Aparente



Em meados de 1932, o "Centro Espírita Luiz Gonzaga" estava reduzido a um quadro de cinco pessoas, José Hermínio Perácio, D. Cármen Pena Perácio, José Xavier, D. Geni Pena Xavier e o Chico.

Os doentes e obsidiados surgiram sempre, mas, logo depois das primeiras melhoras, desapareciam como por encanto.

Perácio e senhora, contudo, precisavam transferir-se para Belo Horizonte por impositivos da vida familiar.

O grupo ficou limitado a três companheiros.

D. Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas com os dois irmãos.

José, no entanto, era seleiro e, naquela ocasião, foi procurado por um credor que lhe vendia couros, credor esse que insistia em receber-lhe os serviços noturnos, numa oficina de arreios, em forma de pagamento.

Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a freqüência ao grupo, pelo menos, por alguns meses.

Vendo-se sozinho, o Médium também quis ausentar-se.

Mas, na primeira noite, em que se achou a sós no centro, sem saber como agir, Emmanuel apareceu-lhe e disse:

- Você não pode afastar-se. Prossigamos em serviço.

- Continuar como? Não temos freqüentadores...

- E nós? - disse o espírito amigo. - Nós também precisamos ouvir o Evangelho para reduzir nossos erros. E, além de nós, temos aqui numerosos desencarnados que precisam de esclarecimento e consolo. Abra a reunião na hora regulamentar, estudemos juntos à lição do Senhor, e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.

Foi assim que, por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão do Centro e fazia a prece de abertura, às oito da noite em ponto.

Em seguida, abria o "Evangelho Segundo o Espiritismo", ao acaso, e lia essa ou aquela instrução, comentando-a em voz alta.

Por essa ocasião, a vidência nele alcançou maior lucidez.

Via e ouvia dezenas de almas desencarnadas e sofredoras que iam até o grupo, à procura de paz e refazimento.

Escutava-lhes as perguntas e dava-lhes respostas sob a inspiração direta de Emmanuel.

Para os outros, no entanto, orava, conversava e gesticulava sozinho...

E essas reuniões de um Médium a sós com os desencarnados, no Centro, de portas iluminadas e abertas, se repetiam todas as noites de segundas e sextas-feiras.


Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama

sábado, 11 de junho de 2011

Uma Boa Lição




Adoecera um dos irmãos do grupo.

Reumatismo complicado e renitente.

Um amigo ensinou a aplicação de uma erva que somente se desenvolve em cavernas do subsolo.

Chico e José Xavier, tendo por acompanhante um belo cão que lhes pertencia, de nome Lorde, vão a uma grande lapa, das muitas que existem nas cercanias de Pedro Leopoldo; em caminho começam a conversar.

Falavam a respeito de certos amigos e comentavam:

- Beltrano não serve.

- Fulano é muito esquisito.

- Sicrano é imprestável.

Quando as críticas iam inflamadas, o Espírito de Dona Maria João de Deus aparece ao Chico e aconselha: Vocês não devem falar mal de ninguém. Todos necessitamos uns dos outros. Julgar pelas aparências é péssimo hábito. Sempre chega um momento na vida em que precisamos de amparo de criaturas que supomos desprezíveis.

O Médium transmitiu ao irmão quanto ouvira e calaram-se ambos.

Chegaram à caverna e José, segurando Lorde por uma corda, desceu à frente.

Depois de longa busca, encontraram a erva medicinal.

Contudo, quando se voltavam para o retorno, perderam a noção do caminho sob as grandes abóbadas de pedra.

De vela acesa, procuraram debalde a saída.

Gritaram, mas receberam o eco da própria voz.

Quando a luz se mostrava quase extinta, recordaram-se da prece.

Oraram.

Dona Maria João de Deus apareceu ao Médium e considerou:

- Temos agora a prática do ensinamento a que nos reportamos na estrada.

Vocês podem saber muita coisa, mas agora precisam do cão. Soltem o Lorde e sigam-lhe os passos. Ele sabe o caminho da volta.

Assim fizeram. E acompanhando o animal, venceram o labirinto em alguns minutos.

Lá fora, à luz do dia, entreolharam-se surpresos, meditaram na lição recebida e renderam graças a Deus.


Livro:Lindos Casos de Chico Xavier - 24
Ramiro Gama

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Lição da Súplica




Certa noite, o Chico alquebrado pelos obstáculos, orava, antes do sono, rogando a Jesus múltiplas medidas e soluções para os problemas que o apoquentavam.

Mais de quarenta minutos já havia empregado no petitório, quando lhe surgiu Dona Maria João de Deus que lhe falou bondosa: - Meu filho, faça suas orações, porque sem a prece não conseguimos a renovação de nossas forças espirituais, entretanto, não será por muito falar que você será atendido...

- Então, como devo fazer em minhas súplicas? - perguntou o Médium desapontado.

- Você sabe que Jesus também pede alguma coisa de nós...disse o espírito maternal.

- Sim, Nosso Senhor recomenda-nos humildade, paciência, fé, bom ânimo, caridade e amor ao próximo no cumprimento de nossos deveres.

- Pois, façamos o que Jesus nos pede e Jesus fará por nós o que lhe pedimos. Está certo? E o Chico recebendo a lição aprendeu que orar não é falar e mover os lábios, indefinidamente.


Livro: Lindos Casos de Chico Xavier
Ramiro Gama

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Uma Lição Sobre a Fé




Um simpatizante do Espiritismo, residente em Santos, Estado de São Paulo, veio a Pedro Leopoldo, asseverando desejar conhecer o Chico para melhor acertar os seus problemas de fé.

O Médium, no entanto, empregado de uma repartição, não dispõe do tempo como deseja e, por determinação de sua Chefia, estava ausente de casa.

O visitante insistiu, insistiu.

E como não podia deter-se por muitos dias, regressou a penates, dizendo a vários amigos:

- Duvido muito da mediunidade. Imaginem meu caso com o Chico Xavier. Viajo para Pedro Leopoldo com sacrifício de tempo e di­nheiro. Chego à cidade e informam-me, sem mais aquela, que o Mé­dium estava ausente. Perdi minha fé, pois tenho a idéia de que tudo seja simples fraude e estou convencido de que o Chico se esconde pa­ra melhor sustentar a mistificação.

Um dos companheiros de ideal escreve, aflito, ao Chico, relatando-lhe a ocorrência.

Não seria aconselhável procurar o queixoso e atendê-lo?

O pobre homem parecia haver perdido a confiança no Espiritismo.

O Médium, muito preocupado pede o parecer de Emmanuel e o devotado orientador responde-lhe, com serena precisão:

- Deixe este caso para traz. Se a fé nesse homem for erguida sobre você é melhor que ele a perca desde já, porque nós todos so­mos criaturas falíveis. A fé para ele e para nós deve ser construída em Jesus, porque, somente confiando em Jesus e imitando-lhe os exem­plos, é que poderemos seguir para Deus.


Livro: Lindos Casos de Chico Xavier - 63
Ramiro Gama

quarta-feira, 8 de junho de 2011

UBUNTU PARA VOCÊ!


 A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.
Ela  contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando  terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

 Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele  chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

 As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas   as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e os comeram felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós  poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"
 
 Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda  não havia compreendido, de verdade,
a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...


UBUNTU PARA VOCÊ!

terça-feira, 7 de junho de 2011

NOS DOMÍNIOS DA VOZ


André Luiz

Observe como vai indo a sua voz, porque a voz é dos instrumentos mais importantes na vida de cada um.
A voz de cada pessoa está carregada pelo magnetismo dos seus próprios sentimentos.
Fale em tonalidade não tão alta que assuste e nem tão baixa que crie dificuldade a quem ouça.
Sempre aconselhável repetir com paciência o que já foi dito para o interlocutor, quando necessário, sem alterar o tom de voz, entendendo-se que nem todas as pessoas trazem audição impecável.
A quem não disponha de facilidades para ouvir, nunca dizer frases como estas: "Você está surdo?",
"Você quer que eu grite?", "Quantas vezes quer você que eu fale?" ou " já cansei de repetir isso".
A voz descontrolada pela cólera, no fundo, é uma agressão e a agressão jamais convence.
Converse com serenidade e respeito, colocando-se no lugar da pessoa que ouve, e educará suas manifestações verbais com mais segurança e proveito.
Em qualquer telefonema, recorde que no outro lado do fio está alguém que precisa de sua calma, a fim de manter a própria tranqüilidade.

Francisco Cândido Xavier. Da obra: Sinal Verde.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
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